segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Sinuosidade


Cada curva do longo e sinuoso rio, profundo e feroz, me assusta de maneira tal qual me posto o mais equilibrada possível, para que nada possa me afogar.
Um longo e sinuoso rio me puxando lentamente para o seu fundo... não me parece uma boa ideia. 
Equilíbrio: isso me soa tão atraente que agarro com todas as forças e aperto contra o meu corpo, como se fosse palpável.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Sobre Sentir-se Mar

Respiro fundo, olho adiante
Nado dentro de mim mesma procurando o que não sei
Mergulho e exploro os mais diversos lugares
Sou expulsa de alguns, em outros sou bem recebida
Vozes, pensamentos, sentimentos, saudades
O que fazer com tudo isso? 

Apaga-se tudo
Escuro
Folha em branco
Sem respostas
É melhor voltar a superfície

Volto a minha própria superfície
Deixo o que deve-se guardar guardado em suas devidas gavetas
Mãos vazias
Corpo molhado
Frio

É melhor aquecer-me (em um abraço de preferência)
Recomeçar, recomeçar-me
Cada dia um novo recomeço (clichê)
Cada dia um novo e profundo mergulho

Minha vastidão se espalha sobre meu ser neste exato momento, a algum tempo. Como um oceano, mar aberto, com todas as suas ilhas e barcos, navios, corais. Eu posso ser tudo ao mesmo tempo, sinto cada partícula de vida vibrando em minha pele. Cada cor, o vento, o cheiro, as ondas no quebra-mar, a música que toca...
Abro os olhos.



terça-feira, 21 de abril de 2015

Alheia

Parece que chega uma fase da nossa vida em que algumas coisas param de ser tão importantes, como por exemplo, o contato com algumas pessoas.
Eu sempre fui meio apática no que se diz respeito a compromissos. Me empolgo na hora de marcar, mas na hora de cumprir fico torcendo pra que a pessoa desista e eu fique em casa deitada no meu quentinho lendo alguma coisa, ou na internet ou conversando com meu amor. Eu não consigo ficar muito tempo conversando com certas pessoas e chega a um certo ponto em que me incomodo e peço aos deuses do além que a pessoa se apresse e vá embora -soa meio cruel, mas sou eu-.
Com o tempo parece, pelo menos na minha vida, que a importância que algumas pessoas tinham quando eu era adolescente hoje já não existe mais, e eu até prefiro não manter contato. Me sinto presa a algo que não sei descrever, mas que me deixa um pouco pra baixo.
Procuro me desligar o máximo de pessoas e realidades que estão sempre prontas pra restringir ou censurar algum tipo de atitude ou vivência que a carapuça sirva para mim.
Procuro me desligar um pouco do passado...
...ou sou tão somente alheia e assombrosamente canceriana o suficiente pra dominar a apatia com o que não é -e nunca foi- essencial em minha vida.